O presidente da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), Marcílio Laurindo Drescher, avaliou de forma cautelosa o cenário da produção e da comercialização do tabaco na atual safra. Em entrevista concedida ao programa do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Cunha Porã, veiculado na Rádio Iracema, ele destacou que o período entre dezembro e fevereiro é decisivo para a definição do preço mínimo do produto, mas que, mais uma vez, as negociações não atenderam às expectativas dos produtores.
Segundo Drescher, atualmente as negociações não ocorrem mais por meio de uma tabela única, como no passado, sendo realizadas de forma individual com cada empresa, dentro das regras da lei da integração e das chamadas CADEX. Esse modelo, conforme explicou, leva em conta custos diferentes entre as empresas, como tecnologia empregada, mão de obra e regiões de atuação. Ainda assim, o resultado final ficou aquém do necessário para cobrir adequadamente o custo de produção.
O presidente da Afubra informou que apenas a empresa JTI concedeu reajuste considerado negociado, com aumento de 7,06% para o tabaco Virgínia e 6,56% para o Burley. Outras empresas, como a Universal Leaf, apresentaram índices inferiores — 6% para o Virgínia e apenas 4% para o Burley —, o que inviabilizou acordo, já que os percentuais ficaram abaixo do custo mínimo de produção. “Saímos novamente frustrados, especialmente no que se refere ao tabaco Burley”, afirmou.
Drescher também apontou fatores externos que têm agravado o cenário, como as tarifas de exportação para os Estados Unidos, que limitam o acesso de empresas brasileiras a esse mercado, além do aumento da produção em outros países, com destaque para a Argentina. O excesso de oferta mundial, aliado a uma boa safra em todas as regiões produtoras, tem pressionado os preços para baixo. Soma-se a isso um maior rigor na classificação do tabaco no momento da compra, o que vem reduzindo os preços médios pagos ao produtor.
Outro ponto de forte preocupação é o aumento dos custos, principalmente com mão de obra. De acordo com o presidente da Afubra, esse item tem crescido muito acima da inflação, em razão da escassez de trabalhadores no meio rural. “A mão de obra é hoje um dos maiores gargalos. Muitos produtores até gostariam de continuar na atividade, mas desistem pela dificuldade de encontrar trabalhadores e pelos altos custos”, ressaltou.
Ao final, Marcílio Drescher deixou um alerta aos produtores: o momento exige planejamento, cautela e adequação da produção à capacidade de cada propriedade. “Nem todos os anos são favoráveis. Este é um ano difícil, e o produtor precisa fazer bem seus cálculos, observar custos e lembrar que, muitas vezes, menos é mais”, concluiu.
