Cunha Porã enfrentou epidemia de dengue em 2025 e intensifica ações preventivas para 2026

Aedes Aegypti. Foto: Internet

O município de Cunha Porã viveu um ano desafiador no enfrentamento à dengue em 2025. O balanço das ações e dos números foi apresentado pela Agente de Endemias e Coordenadora do Programa de Vigilância e Controle do Aedes aegypti, Ângela Rieger Kölln, em entrevista concedida à Rede Vale de Comunicação. Segundo ela, apesar da epidemia registrada no último ano, o trabalho intenso das equipes e o envolvimento da comunidade foram fundamentais para conter o avanço da doença e preparar o município para 2026.

De acordo com os dados oficiais, Cunha Porã registrou 106 casos positivos de dengue em 2025, além de um óbito em decorrência da doença. Também foram identificados 219 focos do mosquito Aedes aegypti e um caso de chikungunya, este importado de outro município. “Infelizmente tivemos uma epidemia, mas realizamos um trabalho contínuo e muito intenso durante todo o ano”, destacou Ângela.

Ações intensificadas ao longo de 2025

Durante todo o ano passado, a Secretaria de Saúde, por meio do Programa de Vigilância, promoveu uma série de ações estratégicas. Entre elas, mutirões de limpeza, levantamento de índices de infestação, monitoramento aéreo com drone — realizado duas vezes em toda a cidade — e campanhas de recolhimento de pneus.

Foto: Ascom Pref. de Cunha Porã

Somente nessas campanhas, mais de 1.500 pneus foram recolhidos em duas etapas. “O pneu é um criadouro preferencial do mosquito. Com essas ações, eliminamos milhares de possíveis focos”, explicou a coordenadora.

Outro destaque foi a mobilização das escolas do município, envolvendo alunos da educação infantil ao ensino médio, com atividades educativas realizadas na ASCUP. Além disso, Cunha Porã passou a utilizar a borrifação residual, uma nova estratégia do Ministério da Saúde, aplicada em locais estratégicos com grande circulação de pessoas. O produto permanece ativo por cerca de quatro meses e elimina o mosquito ao pousar nas superfícies tratadas.

Ao longo de 2025, o município conseguiu cumprir os seis ciclos anuais de tratamento, vistoriando em média 80% dos imóveis, além de realizar bloqueios de transmissão em todos os casos suspeitos e confirmados da doença. Essas ações envolvem visitas às residências, locais de trabalho e escolas frequentadas pelo paciente durante o período de transmissão do vírus.

Reconhecimento estadual e trabalho integrado

O trabalho desenvolvido em Cunha Porã ganhou reconhecimento em nível estadual. O município participou de mostras em Blumenau e Xanxerê, apresentando as campanhas de recolhimento de pneus e as ações de intensificação contra a dengue. Como resultado, recebeu o Troféu Formiguinha e um computador, premiação concedida pelo Instituto do Meio Ambiente dentro do programa Penso, Logo Destino.

Ângela ressaltou que os resultados são fruto do esforço coletivo. “Esse trabalho envolve agentes de saúde, agentes de endemias, profissionais das unidades de saúde, setor de obras e infraestrutura, além do comitê intersetorial, com entidades públicas, privadas e a sociedade civil organizada”, afirmou.

Situação em 2026 e ações em andamento

O ano de 2026 começou com atenção redobrada. Já foram registradas 11 notificações de suspeita de dengue, sendo quatro descartadas e sete ainda em investigação. Mesmo antes da confirmação dos exames, as equipes iniciam imediatamente o trabalho de bloqueio e prevenção. “Não podemos esperar o resultado. A prevenção começa no mesmo dia da suspeita”, explicou a coordenadora.

Atualmente, o município contabiliza nove focos do mosquito, identificados principalmente por meio de armadilhas instaladas em diversos pontos da cidade. As inspeções, investigações de denúncias e visitas domiciliares já estão em andamento desde o início do ano.

Entre as ações previstas para 2026 estão:

  • Levantamento Rápido de Índice de Infestação (LIRAa);

  • Seis ciclos de tratamento ao longo do ano;

  • Atividades educativas nas escolas;

  • Novas campanhas de recolhimento de pneus;

  • Atualização do reconhecimento geográfico dos imóveis;

  • Monitoramento semanal com armadilhas;

  • Fiscalização de pontos estratégicos, como cemitérios e borracharias;

  • Monitoramento aéreo com drone;

  • Aplicação de inseticidas conforme os protocolos do Ministério da Saúde.

Atenção redobrada nas residências, terrenos e obras

A maior parte dos focos, segundo Ângela, ainda é encontrada em residências, muitas vezes por descuido ou falta de informação. Ela reforça a importância de permitir a entrada dos agentes de saúde, que são capacitados para identificar possíveis criadouros.

O município também conta com legislação que obriga a limpeza de terrenos baldios. Denúncias podem ser feitas junto ao setor de tributação, e o não cumprimento pode resultar em multas. Em obras, o cuidado deve ser redobrado com lonas, tonéis e baldes, que podem acumular água e se tornar criadouros do mosquito.

Sintomas e cuidados com a dengue

A coordenadora alertou ainda para os principais sintomas da dengue, como febre, dores no corpo e nas articulações, dor atrás dos olhos e manchas vermelhas na pele. Ao apresentar qualquer um desses sinais, a orientação é procurar imediatamente uma unidade de saúde ou o hospital.

“A dengue é uma doença grave, que exige hidratação e acompanhamento médico. Se não tratada corretamente, pode evoluir para casos graves e até levar ao óbito”, ressaltou.

Por fim, Ângela reforçou o papel da população no combate ao mosquito. “O trabalho contra a dengue não é só da prefeitura. Cada família, cada comércio e cada empresa precisa fazer a sua parte, eliminando água parada e usando repelente. Só assim vamos conseguir reduzir os casos e proteger nossa comunidade.”

A luta contra a dengue segue sendo diária em Cunha Porã, com ações contínuas e a conscientização de que a prevenção é a principal arma contra o Aedes aegypti.

Ângela Rieger Kölln, Agente de Endemias e Coordenadora do Programa de Vigilância e Controle do Aedes aegypti de Cunha Porã. Foto: Rede Vale de Comunicação