As chamadas canetas emagrecedoras viraram um dos assuntos mais discutidos na área de saúde recentemente. No programa Promovendo a Prevenção, apresentado por Ana Luiza Savian, na Rádio Iracema, neste sábado (24) o médico clínico geral Dr. Rafael Fagundes Lopes explicou como esses medicamentos atuam, para quem são indicados e os cuidados que devem ser tomados. Porém, além das orientações médicas, autoridades de saúde também emitiram alertas importantes sobre o uso irregular desses produtos.
Do tratamento da diabetes ao controle do peso
Inicialmente desenvolvidas para tratar diabetes tipo 2, as canetas que atuam como agonistas dos receptores GLP-1 e GIP ganharam destaque por promoverem sensação de saciedade e redução do apetite, contribuindo também para a perda de peso quando associadas a tratamento médico adequado. Elas agem imitando hormônios naturais que retardam o esvaziamento gástrico e ajudam a pessoa a sentir menos fome após as refeições.
Dr. Rafael enfatiza que, apesar de muito comentadas, essas medicações só devem ser usadas com prescrição médica e acompanhamento profissional, incluindo nutricionista e equipe multiprofissional de saúde.
Riscos de uso sem orientação médica: alerta da ANVISA
Recentemente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) tomou uma medida importante em relação às canetas emagrecedoras que não possuem registro no Brasil. A agência proibiu a fabricação, distribuição, importação, comercialização, propaganda e uso de vários desses produtos que vinham sendo vendidos de forma irregular — especialmente pela internet e redes sociais — sem qualquer autorização sanitária.
Os itens atingidos pela proibição incluem medicamentos à base de tirzepatida de determinadas marcas, frequentemente chamados de “canetas emagrecedoras do Paraguai”, bem como produtos com retatrutida de todas as marcas e lotes. Esses produtos não possuem registro na ANVISA, o que significa que não foram avaliados quanto à qualidade, eficácia ou segurança. Segundo a agência, por serem irregulares e de origem desconhecida, tais medicamentos não devem ser utilizados em nenhuma hipótese. Sem registro, não há garantia sobre a composição ou efeitos no organismo, o que pode representar riscos graves à saúde.
Por que isso importa para quem pensa em usar essas canetas?
- Medicamentos sem registro não são avaliados para segurança e eficácia — o que pode trazer riscos sérios, inclusive efeitos adversos desconhecidos.
- A comercialização e importação de itens irregulares é ilegal no Brasil, podendo ser alvo de apreensões e penalidades.
- Mesma situação vale para produtos divulgados em redes sociais ou vendidos por perfis que prometem emagrecimento “rápido e fácil” sem garantia sanitária.
Como usar com segurança?
O Dr. Rafael reforça que as canetas têm lugar no tratamento de obesidade, desde que com objetivo clínico claro, prescrição médica e acompanhamento nutricional e de saúde contínuo. Elas devem ser ferramentas dentro de um plano terapêutico mais amplo, que inclua mudança de hábitos alimentares, prática de atividades físicas e suporte psicológico quando necessário.

